DOIS ANOS DA PERDA DO RENATÃO

Hoje faz dois anos que um grande e importante amigo deixou de estar presente. Um amigo risonho e que era de bem com a vida, isso até dois ou três anos antes de sua morte.
Esse homem de caráter não está mais a rir, a brindar, a contar piadas e contagiar com a sua alegria sem fim. Está em uma dimensão que não conhecemos e é melhor que não conheçamos tão cedo.

Saudades quase dois anos depois...

Amigo, esses dias que passaram deu uma saudade enorme de você!

Ouvi pessoas falando do último show do U2, dos grandes amigos e de boliche, coisas que têm tudo a ver com ti!

Fico a pensar como está a sua alma e peço que Deus a ilumine, sempre!

Sabe, coincidentemente ou não, quando você se foi começou uma fase difícil na minha vida. Tive que enfrentar tantas adversidades em todos os aspectos da minha vida, amorosa, familiar e profissional. Não perdi e aprendi que também não existe vitória. Há tão somente etapas superadas, apenas isso. Eu superei etapas e outras já se apresentaram tão ou mais difíceis. Bem, aprendi que isso é a vida.

O que doi é saber que não posso compartilhar contigo as dores e alegrias das etapas, porém, resta-me manifestar, sempre, o sentimento de amizade eterna.

Tu estás aqui como chama no canto da alma, que não se apaga nem morre.

RENATO, 1 ANO DE PARTIDA

Hoje faz um ano que um grande e importante amigo deixou de estar presente. Não está mais a rir, a brindar, a contar piadas e contagiar com a sua alegria sem fim. Está em uma dimensão que não conhecemos e é melhor que não conheçamos tão cedo.

Saudades desse amigo.

Renato, hoje já não choro como antes, mas as lembranças não desaparecem nem se ofuscam, continuando a brilhar, representando uma esperança de um dia lhe encontrar, amigo.

Cyro, seu amigo.

REENCONTRANDO O PASSADO E A POESIA

Em janeiro, depois de mais de 15 anos, entrei novamente em uma casa que marcou o meu final de adolescência. Foi uma experiência mais que gratificante e tocante.


Um amigo verdadeiro, de longa data, havia morrido há menos de 4 meses e fui fazer uma visita à sua ex-mulher e filha. Embora fossemos muito amigos, ele era ciumentíssimo e nunca permitiu que conhecesse a sua filha. Coisas do Renato. Coisas desse meu amigo. Coisas de uma pessoa diferente, única, às vezes divertida, às vezes maníaca, como cada um de nós.

Fiquei impressionado só de passar pela portaria e rumar aos elevadores. Era uma sensação diferente. Ao mesmo tempo que tudo estava fresco em minha memória, também estava distante, como se tratasse de uma vida passada, não para o meu amigo, mas para mim mesmo.

A filhinha dele, tão divertida quanto o próprio pai foi em boa parte de sua história, desceu para me acompanhar. Uma menina encantadora.

Fomos conversando, meio tímidos, e ao abrir a porta do elevador e ver o hall e a porta de entrada do apartamento, já me vieram à memória o pai, o avô e a avó do Renato, todos já falecidos. Enxergava flashes de coisas que ocorreram, de vozes que soaram e de cheiros que perfumavam uma época distante. Era a minha memória brincando com o presente. Mas o susto que tomei foi ver que uma lâmpada não parava de piscar. Pensava comigo mesmo, o Renato está presente. Que nada. Não era imaginação, mas a lâmpada estava com problema e foi só mexer em outras que ela logo parou de piscar. Ah, como a nossa imaginação e memória nos levam a terrenos do incrível, do fantástico, à possibilidade de brincar com o hoje e com o próprio passado, algo que a linearidade do pensamento imposto não nos permite.

Era como se os avós e pai do Renato me acompanhassem nessa viagem. Era como se eles estivessem presentes com uma única fala e um único movimento. Era algo que não entendia direito. Não via imagens definidadas, mas imagens meio apagadas, quase em preto e branco e estáticas.

Tive um jantar magnífico, caprichado, delicado, momentos ímpares, e como se fossemos sádicos, não parávamos de falar no Renato amigo, ex-marido e pai. Eta sujeito querido. Eta lembranças vívidas. Eta vida sofrida, também a de todos nós, mas principalmente a dele.

Contamos muitas histórias, reais e fábulas, e nos encantávamos com a memória que o Renato permitiu que tivessemos dele e também com a nossa imaginação, que ia longe.

Terminamos a noite vendo um vídeo em que a menininha demonstrava ir muito além do pai. Ela canta e dança muito bem, já o pai... Ela adorava contar histórias e rir, igualzinho ao pai.... Ela me adotou como amigo, igualzinho ao pai. E fui para casa com uma enorme sensação de prazer, como se o passado, que tantos momentos bons me propiciou, estivesse de novo no meu dia-a-dia, batendo à minha porta e no meu coração. Não houve substituição de amigo, mas uma nova forma de amizade, com um pouco do que há dele no presente, sua filha, não exatamente idêntica à sua imagem, mas semelhante. Sentia o abraço fraternal do meu amigo a todo instante, através da sua filha, e o meu coração se acalmou e relaxou. O passado não havia morrido e era possível enxergar o presente de forma poética. Afinal, os verdadeiros e intensos amigos, queiram ou não, compõem os momentos em comum com poesia.

AS VERDADEIRAS AMIZADES SÃO ETERNAS

Amigo, ainda não consigo deixar de me emocionar. Sua ida representou uma grande ruptura, uma grande perda... Não sei onde encontrá-lo, mas sei bem aonde reviver as experiências, alegrias e confidências que trocamos por estes 25 anos de amizade. Qualquer canto no qual passamos é suficiente para me trazer, primeiramente, um sorriso e, logo em seguida, uma vontade incontrolável de chorar. Lágrimas certamente sempre saem dos meus olhos nestes momentos, por mais que eu tente disfarçar. É, amigo, homem também chora e não é eternamente forte. Você também foi um exemplo disso. Fique em paz e com muita luz, sabedoria, harmonia, carinho, amor e felicidade, aonde quer que esteja. Só não se esqueça da nossa amizade, em nenhum momento. Já havia ouvido falar, mas hoje eu sei que as verdadeiras amizades são eternas.

TALVEZ ESTA SEJA A ÚLTIMA HOMENAGEM ESCRITA

Ah, o show do U2: maravilhoso. E o show do Lulu Santos à antiga? Inesquecível.
E as caminhadas noturnas para as danceterias? Ah, também tem as risadas regadas a muito uísque e a eterna competição para ver quem era melhor no war e no boliche, e também as músicas que ouvi pela primeira vez na sua casa. A amizade, as visitas à casa do seu pai, as viagens para o litoral e as nossas confidências. É, amigo. Vou sentir a sua falta, ainda que nos últimos tempos você tenha mudado devido às dificuldades que enfrentava. Meio calado, sério, pensador e carregava consigo o que eu imaginava, mas não tinha certeza, a depressão. É, amigo, não sei porque você escondia isso de mim. Você precisava de amigos intensivamente, de motivação e não sair do jeito que você fez... Permanecia silente, quieto e evitava o amigo aqui. Queria paz, sossego e fazer um retiro.
É, amigo, não estou desabafando. Estou escrevendo para mostrar que você lutou da sua maneira por algo difícil. Lutou pela dignidade. Lutou por sair do sufoco em que se encontrava. Lutou pela felicidade. Mas faltava algo...
O que faltava? Não sei. O tempo não permitiu que você ou eu descobrisse.
Agora, quem faz falta é você com o seu jeito amigo e até meio nerd e engraçado de ser. Uma pessoa única, amigo. Única. Talvez essa seja a última homenagem que escreva, mas não a que farei enquanto viver.
A você muita luz, muita paz, muita harmonia, muita sensibilidade e muita felicidade, aonde quer que esteja.

Do seu eterno amigo
Cyro

Renato, a triste partida de um amigo para o infinito


Recebi uma triste notícia nesta quarta. Um querido amigo, muito especial, companheiro de baladas, de shows, de ideias e da própria vida, abandonou o corpo, talvez buscando refúgio em algum canto menos injusto. Depressivo nos últimos tempos, fato que escondia de todos, não resistiu a um infarto. Deixou uma filha linda que não pode vê-lo, por ter sido enterrado em um local distante, distante dos amigos, distante da família, distante de todos, verdadeiramente abandonado. Não pude me despedir quando partiu em nenhuma de suas duas últimas viagens. Deixa saudade! A você, Renato, Renatinho, Renatão, minha última homenagem, sincera, infelizmente póstuma.


Quando uma pessoa que era alegre é corroída pela depressão, algo está errado.

Quando uma pessoa iluminada é cercada por injustiças, algo continua errado.

Quando essa pessoa, um grande amigo, se vai, sem conseguir se despedir, algo permanece errado.

Esse tipo de ida não permite consertos ou reparos, e esse é o maior erro ou a maior injustiça. Infelizmente não nos foi propiciado o dom de brincar com o tempo físico.

Porém, mesmo com as adversidades, resta-nos o dom de brincar com o infinito. Há as memórias que eternizam o melhor, o sorriso, a luz, a amizade verdadeira, a paz e a sede de Justiça. E isso se expande ao universo e torna essa imagem e as lembranças repletas de dignidade verdadeiras fontes de Justiça, capazes de equilibrar os fatos desastrosos e levar paz e harmonia a todos os cantos, em especial àquele em que essa pessoa tão querida e especial nos aguarda, sem pressa.

Renatão, meu grande amigo e irmão, saiba que agora, mais do que antes, a minha amizade leal e eterna se expande a todo o universo para, além de alcançá-lo, confortá-lo.

Saudades!

Cyro Saadeh, amigo