Ah, o show do U2: maravilhoso. E o show do Lulu Santos à antiga? Inesquecível.
E as caminhadas noturnas para as danceterias? Ah, também tem as risadas regadas a muito uísque e a eterna competição para ver quem era melhor no war e no boliche, e também as músicas que ouvi pela primeira vez na sua casa. A amizade, as visitas à casa do seu pai, as viagens para o litoral e as nossas confidências. É, amigo. Vou sentir a sua falta, ainda que nos últimos tempos você tenha mudado devido às dificuldades que enfrentava. Meio calado, sério, pensador e carregava consigo o que eu imaginava, mas não tinha certeza, a depressão. É, amigo, não sei porque você escondia isso de mim. Você precisava de amigos intensivamente, de motivação e não sair do jeito que você fez... Permanecia silente, quieto e evitava o amigo aqui. Queria paz, sossego e fazer um retiro.
É, amigo, não estou desabafando. Estou escrevendo para mostrar que você lutou da sua maneira por algo difícil. Lutou pela dignidade. Lutou por sair do sufoco em que se encontrava. Lutou pela felicidade. Mas faltava algo...
O que faltava? Não sei. O tempo não permitiu que você ou eu descobrisse.
Agora, quem faz falta é você com o seu jeito amigo e até meio nerd e engraçado de ser. Uma pessoa única, amigo. Única. Talvez essa seja a última homenagem que escreva, mas não a que farei enquanto viver.
A você muita luz, muita paz, muita harmonia, muita sensibilidade e muita felicidade, aonde quer que esteja.
Do seu eterno amigo
Cyro